Modelos Pedagógicos em Educação a Distância
Por Patricia Alejandra Behar
Capítulo 04: avaliação em ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs)
Características dos AVAs: Acesso restrito, lista de atividades, foruns; lista de material para estudo e etc, agus tem ferramentas de comunicação de forma síncrona e assíncrona (Chat, e-mail).
Como o professor está frente a esses inúmeros aparatos de interação?
Como avaliar os alunos de forma que entenda que também ele poderá olhar o desenvolvimento do aluno junto ao conhecimento em função do conteúdo e também ao seu grau de intimidade ou crescimento junto a ferramenta AVAs?
É usado uma visão interacionalista de acordo com o pensamento de piaget, que segundo o autor: "o sujeito não pode ser compreendido sem os elementos do seu meio, e a a interação modifica os sujeitos uns em relação aos outros".
Independentemente do método utilizado, quantitativo ou qualitativo, a avalização deve enfocar o caráter dinâmico e não-linear da aprendizagem. Bassani e Behar, os autores falam isso com base em Demo (2002) que fala sobre o conhecimento e a aprendizagem onde ele conceitua da seguinte forma: "são atividades que expressam processos não-lineres. Entretanto, o debate em torno da avaliação está repleto de pressupostos lineares".
Reflexões sobre o processo de avaliação da aprendizagem
Com base em hoffmann que questiona a relação entre avaliação e controle e que apresenta duas dimensões para controle: cerceamento ou acompanhamento "quando se controla para julgar, basta andar ao lado de alguém, observando, registrando, coletando provas do caminho que trilhou. Quando se acompanha para ajudar no trajeto é necessário percorrê-lo junto, sentindo-lhe as dificuldades, apoiando conversando, sugerindo rumos adequados a cada aluno. Também fala que a dinâmica de avaliação é complexa, pois é preciso acompanhar os percursos individuais de aprendizagem que se dão no coletivo. Dessa forma, o professor deve avaliar continuamente, mas a natureza de sua intervenção será diferente em cada momento do processo.
Jorba e Sanmartí (2003) apresentam duas funções da avaliação e da aprendizagem:
1-caráter social envolvendo seleção e classificação, predominantemente realizada no final do período de formação, de forma a atestar (ou não) a aquisição de conhecimentos que vão permitir (ou não), a um determinado aluno, cursar o nível seguinte;
2-caráter pedagógico ou formativo contendo informações importantes/ relevantes para que o professor possa adequar as atividades às necessidades dos alunos; nesta perspectivo, a avaliação não pode concentrar-se apenas no final do processo de ensino-aprendizagem, mas permeia todo o seu desenvolvimento.
tipos de avaliação:
Avaliação diagnóstica inicial é realizada no início do processo e visa proporcionar informações sobre o conhecimento prévio do aluno.
Avaliação Prognose onde se refere ao grupo (classe) é constituída por uma concepção do ensino que considera que aprender é um longo processo por meio do qual o aluno vai reestruturando seu conhecimento a partir das atividades que executa (Jorba e Sanmartí, 2003, p.30).
Avaliação somativa ressalta os resultados obtidos com o processo; normalmente ocorre no final do processo. Predomina na grande maioria de escolas e universidades; a prova e/ou teste é o instrumento utilizado. O maior problema dessa avaliação é que, na maioria das vezes, ela é a única fonte de avaliação educativa.
forma de abordar a avaliação da aprendizagem escolar na perspectiva de Quinquer (2003) Segundo o autor em se tratar de enfoques mais recentes "Concebem a avaliação como um instrumento de comunicação que facilita a construção dos conhecimentos na aula". O autor aprensenta três modelos de avaliação descritos a segui:
1-Modelo psicométrico - enfatiza os resultados da aprendizagem.
2-Modelo sistêmico - característico da avaliação formativa.
3-Modelo comunicativo ou psicossocial - têm sua relevância especial no contexto social em que se produz a aprendizagem.
Segundo Romão pag. 97 afirma que a avaliação de aprendigem nas escolas brasileiras encontra-se "prensada" entre duas concepções, resultantes de propostas pedagógicas antagônicas (Construtivistas e positivistas)
Concepção 1 construtivista: auto, interna, qualitativa, diagnóstica, permanente, códigos locais e sociais, ritmos pessoais.
Concepção 2 Positivista: hetero, externa, quantitativa, classificatória, periódica, padrões de qualidade e desempenhos universais aceitos.
A depender da utilização pode ser relevante usar o que Romão sugere:
Função prognóstica: verificação de prerrequisitos no início do processo e cado vez que uma unidade/tema novo tem início.
Função diagnóstica: durante o processo, acompanhamento e verificação das dificuldades para disponibilizar instrumentos e estratégias de superação.
função classificatória: no final do processo, para verificar se o aluno atingiu os objetivos e "incorporou" conhecimentos.
segundo Hoffmann, 2001 "as práticas avaliativas classificatórias fundam-se na competição e no individualismo, no poder e na arbitrariedade presentes nas relações entre professores e alunos, entre os alunos e entre os próprios professores.
A observação em sala de aula é parte natural no processo, quanto mais frequentes e significativos forem os registros, maiores as possibilidades de uma ação aducativa direcionada ás necessidades individuais. É sugerido por Hoffmann (2001) a criação de dossiês/portfólios, para que fique registrado todo o caminho percorrido pelo aluno, permitindo que ele se aproprie do seu processo de conhecimento e possibilitando ao professor uma visão das possíveis intervenções necessárias.
Delineamento de perspectivas para avaliação da aprendizagem em ambientes virtuais
O AVA a partir de três perspectivas:
1-avaliação por meio de testes on-line;
2-avaliação da produção individual dos estudantes;
3-análise das interações entre alunos, a partir de mensagens postadas/trocadas por meio das diversas ferramentas de comunicação.
Neste capítulo, entende-se que a avaliação é um processo de múltiplas facetas, incluindo os aspectos afetivos e sociais envolvidos na aprendizagem. Logo, acreditamos que a avaliação não pode ser conduzida somente de forma eletrônica. A sala de aula ou ambiente computacional, avaliação do estudante é uma tarefa do professor.
Como avaliar com base nas interações?
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A partir da investigação de posições de autoria possíveis de se constituir no linguajar em um domínio de relação configurado pela tecnologia Maraschin (2005) analisar o conteúdo de mensagens trocadas em uma lista de discussão "evidenciou a frequência de apreciações avaliativas por parte dos sujeitos, concernentes ao próprio processo de aprendizagem, ao uso da tecnologia e participação do/no grupo", este estudo mostra 4 categorias:
1- avaliação do processo de aprendizagem quanto aos aspectos teóricos, envolvendo os conceitos em estudo;
2-avaliação do processo de aprendizagem quanto a contextos mais amplos, envolvendo reflexões dos sujeitos sobre suas experiências pessoais, profissionais, etc.;
3-avaliação quanto ao uso do acoplamento tecnológico, abordando possibilidades e limitações em relação à tecnologia;
4-avaliação quanto à interação entre participantes no grupo e quanto aos aspectos teóricos.
Na perspectiva de avaliar tarefas cooperativas podemos adquirir significados diversos, como:
1-suporte à divisão de tarefas (cada integrante é responsável por uma parte)
2-processo para a realização de tarefas;
3-meio para auxiliar a aprendizagem de conhecimento específico;
4-fim em si mesmo, de forma a exercitar a cooperação.
De acordo com Bassani entende-se o processo como o percurso de construção individual, que se constitui a partir das interações, Neste sentido, produto (conteúdo) e processo (interações) de mesma realidade cognitiva.